A Princesa de Babilônia

Desta vez, o blog irá sugerir um livro. O nome, de acordo com o título do post, é “A Princesa de Babilônia”. Uma bela obra escrita por François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire. Trata-se de um romance que, no entanto, aborda diversos outros temas da época, como por exemplo, a politica, guerras e o ser humano. Em seguida, serão expostos um breve resumo do autor assim como um breve resumo de sua obra. Abaixo um breve resumo de acordo com o Wikipedia sobre o autor:

François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire (Paris, 21 de novembro de 1694 — Paris, 30 de maio de 1778), foi um escritor, ensaísta, deísta e filósofo iluminista francês.

Conhecido pela sua perspicácia e espirituosidade na defesa das liberdades civis, inclusive liberdade religiosa e livre comércio. É uma dentre muitas figuras do Iluminismo cujas obras e ideias influenciaram pensadores importantes tanto da Revolução Francesa quanto da Americana. Escritor prolífico, Voltaire produziu cerca de 70 obras[1] em quase todas as formas literárias, assinando peças de teatro, poemas, romances, ensaios, obras científicas e históricas, mais de 20 mil cartas e mais de 2 mil livros e panfletos. Foi um defensor aberto da reforma social apesar das rígidas leis de censura e severas punições para quem as quebrasse. Um polemista satírico, ele frequentemente usou suas obras para criticar a Igreja Católica e as instituições francesas do seu tempo. Voltaire é o patriarca de Ferney. Ficou conhecido por dirigir duras críticas aos reis absolutistas e aos privilégios do clero e da nobreza. Por dizer o que pensava, foi preso duas vezes e, para escapar a uma nova prisão, refugiou-se na Inglaterra. Durante os três anos em que permaneceu naquele país, conheceu e passou a admirar as ideias políticas de John Locke.”

Abaixo a apresentação de Nélson Jahr Garcia a respeito do livro:

““A princesa de Babilônia” é uma novela de leitura agradável, além de extremamente instrutiva. Voltaire apresenta, concomitantemente: amor ingênuo e puro, amor carnal, fidelidade e traição, amizade, ódio, vingança, inveja, prazer e dor, guerras, mortes, ressurreição, afeição e respeito pelos animais. O jovem herói Amazam se apaixona por Formosante, a princesa da Babilônia. Julgando-se traído resolve correr o mundo e Formosante sai em busca dele para desfazer o equívoco e comprovar sua fidelidade. É o recurso que Voltaire emprega para descrever os costumes e instituições de inúmeras nações e culturas da  antigüidade e, como sempre, criticá-las com ironia e acidez. O autor, nesta obra, é um pouco parcimonioso em suas irreverências, mas não deixa de ser cáustico algumas vezes.
Sobre as batalhas, tão freqüentes na antigüidade como hoje, Voltaire é incisivo:

          Os homens que comem carne e tomam beberagens fortes têm todos um sangue azedo e adusto, que os torna loucos de mil maneiras diferentes. Sua principal demência se manifesta na fúria de derramar o sangue de seus irmãos e devastar terras férteis, para reinarem sobre cemitérios.

          A respeito da ressurreição, tema que Voltaire tratava com desdém, aqui fala com uma profundidade e percuciência dignas de meditação:

          — A ressurreição, Alteza – disse-lhe a fênix, – é a coisa mais simples deste mundo. Não é mais surpreendente nascer duas vezes do que uma. Tudo é ressurreição no mundo; as lagartas ressuscitam em borboletas, uma semente ressuscita em árvore; todos os animais, sepultados na terra, ressuscitam em ervas, em plantas, e alimentam outros animais, de que vão constituir em breve uma parte da substância: todas as partículas que compunham os corpos são transformadas em diferentes seres. É verdade que sou o único a quem o poderoso Orosmade concedeu a graça de ressuscitar na sua própria natureza.

          A mesma fênix demonstra quão ridícula é a  pretensão humana de dominar o conhecimento sobre a origem dos homens e, enfim, de todas as coisas:

          — E tu – perguntou o rei da Bética à fênix, – que pensas a respeito?           — Sire – respondeu a fênix, – sou ainda muito jovem para estar informada da antigüidade. Não vivi mais que uns vinte e sete mil anos; mas meu pai, que viveu cinco vezes essa idade, me dizia haver sabido, por meu avô, que as regiões do Oriente sempre foram mais povoadas e mais ricas que as outras. Sabia, por seus antepassados, que as gerações de todos os animais tinham começado às margens do Ganges. Quanto a mim, não tenho a vaidade de ser dessa opinião. Não posso acreditar que as raposas de Albion, as marmotas dos Alpes e os lobos das Gálias venham do meu país; da mesma forma, não creio que os pinheiros e os carvalhos das vossas regiões descendam das palmeiras e dos coqueiros da Índia.           — Mas de onde vimos então? – indagou o rei.           — Nada sei – respondeu a fênix. – Desejaria apenas saber para onde poderão ir a bela princesa da Babilônia e o meu querido amigo Amazan.

          Insistindo sobre a fragilidade do conhecimento humano, Voltaire, pelas palavras de milorde “What-then” (milorde Que Importa), habitante de Albion (Inglaterra), afirma:

          Com o mesmo espírito que nos fez conhecer e sustentar os direitos da natureza humana, elevamos as ciências ao mais alto ponto a que possam chegar entre os homens. Os vossos egípcios, que passam por tão grandes mecânicos; os vossos hindus, a quem julgam tão grandes filósofos; os vossos babilônios, que se vangloriam de haver observado os astros durante quatrocentos e trinta mil anos; os gregos, que escreveram tantas frases e tão poucas coisas, não sabem precisamente nada em comparação com os nossos menores colegiais, que estudaram as descobertas de nossos grandes mestres. Arrancamos mais segredos à natureza no espaço de cem anos do que os descobriu o gênero humano na multidão dos séculos.

Como nossa história começou

Uma Breve História do Mundo
Uma Breve História do Mundo

Para o segundo post, o blog sugere um livro “Uma Breve História do Mundo” de Geoffrey Blainey. O livro conta a nossa história, dos seres humanos, desde os primeiros vestígios até como chegamos a nossa situação atual. Desde como os primeiros nômades se alimentavam, onde viviam, o que faziam, etc. Além de mencionar diversos dos principais eventos vividos pela humanidade, como por exemplo a criação de algumas das religiões hoje existentes. Abaixo um trecho do livro:

Capítulo 1

Vindos da África

Há 2 milhões de anos, eles viviam na África e
eram poucos. Eram seres quase humanos, embora tendessem a ser menores que seus
descendentes que hoje povoam o planeta. Andavam eretos e subiam montanhas com
enorme habilidade.

Alimentavam-se principalmente de frutas, nozes,
sementes e outras plantas comestíveis, mas começavam a consumir carne. Seus
implementos eram primitivos. Se eram bem-sucedidos em dar forma a uma pedra,
não iam muito longe com a modelagem. É provável que usassem um pedaço de pau
para defesa ou ataque, ou até mesmo para escavar, caso surpreendessem um roedor
escondendo-se em um buraco. Não se sabe se construíam abrigos feitos de
arbustos e de pedaços de pau para se protegerem do vento frio no inverno. Não
há dúvida de que alguns moravam em cavernas – quando podiam ser encontradas –,
mas uma residência permanente teria restringido bastante a necessária
mobilidade para encontrar alimento suficiente. Para viver do que a terra
oferecia, precisavam fazer longas caminhadas a lugares onde sementes e frutas
pudessem ser encontradas. Sua dieta era resultado de uma série de descobertas,
feitas ao longo de centenas de milhares de anos. Uma das mais importantes
estava em saber se uma planta, aparentemente comestível, não era venenosa;
explorando novos lugares à procura de novos alimentos em tempos de seca e
carestia, alguns devem ter morrido por envenenamento.

Há 2 milhões de anos, esses seres humanos,
conhecidos como hominídeos, viviam principalmente nas regiões dos atuais Quênia,
Tanzânia e Etiópia. Se dividirmos a África em três zonas horizontais, a raça
humana ocupava a zona central, ou zona tropical, constituída principalmente de
pastos. Uma mudança no clima, cerca de um ou dois milhões de anos antes, que
fez com que em certas regiões os pastos tenham substituído boa parte das
florestas, pode ter incentivado esses hominídeos a, gradualmente, descendo das
árvores, deixar a companhia de seus parentes, os macacos, e passar mais tempo
no chão.

Eles já acumulavam uma longa história, embora não
tivessem nenhuma memória ou registro disso. Falamos hoje do grande espaço de
tempo que se passou desde a construção das pirâmides do Egito, mas esse período
representa um simples piscar de olhos se comparado à longa história que a raça humana
já viveu. Na Tanzânia, descobriu-se um registro primitivo pelo qual se conclui
que dois adultos e uma criança caminhavam sobre cinza vulcânica amolecida por
uma chuva recente. A seguir, suas pegadas foram cozidas pelo sol e, aos poucos,
foram cobertas por camadas de terra; as pegadas, definitivamente humanas, têm
pelo menos 3,6 milhões de anos. Até mesmo isso é considerado um fato recente na
história do mundo contemporâneo: os últimos dinossauros foram extintos há cerca
de 64 milhões de anos.

No leste da África, os primeiros humanos
costumavam acampar às margens dos lagos e dos leitos arenosos de rios ou em
campinas: nesses locais, foram encontrados alguns restos deixados por eles.
Conseguiam adaptar-se a climas mais frios e, na Etiópia, preferiam os planaltos
abertos, a uma altitude de 1.600 ou 2.000 metros acima do nível do mar. Nas
florestas sempre verdes das regiões montanhosas, também sentiam-se em casa; sua
adaptabilidade era impressionante.

De modo geral, na impiedosa competição por
sobreviver e multiplicar-se, os humanos tiveram sucesso. Nas regiões da África
que habitavam, eram em número bem menor que as espécies de grandes animais,
alguns deles agressivos; ainda assim, os humanos prosperaram. Talvez as
populações tenham se tornado muito numerosas para os recursos disponíveis na
região ou tenha havido um longo período de seca, e isso os tenha levado para o
norte. Há forte indício de que, em algum momento dos últimos dois milhões de
anos, eles tenham começado a migrar mais para o norte. O maior deserto do
mundo, que se estende do noroeste da África para além da Arábia, pode, por
algum tempo, ter impedido seu avanço. A estreita faixa de terra entre a África
e a Ásia Menor, contudo, podia ser facilmente atravessada.

Moviam-se em pequenos grupos: eram exploradores e
colonizadores. Em cada região desconhecida, tinham de adaptar-se a novos
alimentos e precaver-se contra animais selvagens, cobras e insetos venenosos.
Os que abriam caminho conseguiam uma certa vantagem, pois os seres humanos,
adversários implacáveis dos invasores de território, não estavam lá para
atrapalhar seu caminho.

Era mais uma corrida de revezamento do que uma
longa caminhada. É possível que um grupo de talvez 6 ou 12 pessoas avançasse
uma pequena distância e decidisse se estabelecer naquele lugar. Outros vinham,
passavam por cima delas ou impeliam-nas para outro lugar. O avanço pela Ásia
pode ter levado de 10 mil a 200 mil anos. Montanhas tinham de ser escaladas;
pântanos, vencidos. Rios largos, gelados e de forte correnteza tinham de ser
atravessados. Será que eles atravessavam esses rios em seus pontos mais rasos,
nas estações muito secas, ou nos pontos mais próximos às nascentes, antes que o
leito se tornasse largo demais? Será que os exploradores sabiam nadar? Não
sabemos as respostas. À noite, em terreno desconhecido, era preciso selecionar
um abrigo ou um lugar com um mínimo de segurança. Sem a ajuda de cães de
guarda, cabia a eles manter vigilância sobre animais selvagens que vinham caçar
durante a noite.

No decorrer dessa longa e lenta migração, a
primeira de muitas na história da raça humana, esses povos originários dos
trópicos avançaram para territórios bem mais frios, jamais conhecidos por
qualquer de seus ancestrais. Não se sabe ao certo se conseguiam aquecer-se ao
fogo nas noites frias. É provável que quando um raio caía nas proximidades,
ateando fogo à vegetação, eles apanhassem um galho em chamas e o transportassem
para outro lugar. Quando o galho estava quase todo queimado e o fogo por se
extinguir, juntavam-lhe outro galho. O fogo era tão valioso que, uma vez
obtido, era tratado com desvelo; ainda assim, o fogo podia extinguir-se por
descuido, apagar-se sob uma chuva forte ou por falta de madeira seca ou
gravetos. Enquanto conseguiam manter o fogo, devem tê-lo levado em suas viagens
como um objeto precioso, como faziam os primeiros nômades australianos.

A habilidade de produzir fogo, em vez de obtê-lo
ao acaso, veio bem mais tarde na história humana. Com o tempo, os humanos
conseguiram produzir uma chama através do atrito e do calor provocados ao
esfregarem-se dois pedaços de madeira seca. Podiam, também, triscar um pedaço
de pirita ou outra rocha adequada e, assim, provocar uma faísca. Em ambos os
processos, eram necessários gravetos muito secos e o domínio da arte de soprar
delicadamente sobre os gravetos em chamas

O emprego habilidoso do fogo, resultado de muitas
idéias e experiências durante milhares de anos, é uma das conquistas da raça
humana. A genialidade da maneira com que era empregado pode ser vista na forma
de vida que sobreviveu até o século 20, em algumas regiões remotas da
Austrália. Nas planícies desanuviadas do interior, os aborígines acendiam
pequenas fogueiras para enviar sinais de fumaça, uma forma inteligente de
telégrafo. Usavam o fogo também para cozinhar, para se aquecer e para forçar os
animais a sair das tocas (enchendo-as de fumaça). O fogo era a única iluminação
à noite, exceto quando uma lua cheia lhes dava luz para suas cerimônias de
dança. Era usado para endurecer os pedaços de pau usados para cavar, para
modelar madeira com a qual eram feitas as lanças e para cremar os mortos. Era
usado, ainda, para gravar marcas cerimoniais na pele humana e para afastar as
cobras do capim perto dos acampamentos. Era um eficaz repelente de insetos e
era usado por caçadores para queimar o capim em sistema de mosaicos em certas
ocasiões do ano e, assim, incentivar novo crescimento, quando viessem as
chuvas. Eram tão numerosos os usos do fogo que, até recentemente, foi a
ferramenta de maior utilidade da raça humana.